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FRANCÊS TETRAPLÉGICO CAMINHA USANDO ARMADURA ROBÓTICA EM EXPERIMENTO

08/10/2019

O voluntário que se submeteu ao experimento é Thibault (sobrenome não revelado), um francês de 28 anos que sofreu uma queda severa há quatro anos e lesionou sua medula espinhal, comprometendo todos os seus movimentos abaixo do pescoço.

Para capturar os comandos mentais do jovem, os cientistas realizaram uma cirurgia para implantar duas placas na superfície do cérebro, cada uma com 64 eletrodos: dispositivos que captavam sinais elétricos do córtex motor, a parte do cérebro que controla movimentos musculares. Os sinais eram então transmitidos ao exoesqueleto, a armadura mecânica que fazia seus braços e pernas se moverem.

H? quatro anos, francês ficou tetraplégico ao cair da varanda de uma boate. Ficou sem movimentos dos ombros para baixo. Ele treinou por meses com avatar para controlar o equipamento apenas com o cérebro

https://www.youtube.com/watch?v=r21Bf0h_9hg&feature=youtu.be

Há quatro anos, francês ficou tetraplégico ao cair da varanda de uma boate. Ficou sem movimentos dos ombros para baixo. Ele treinou por meses com avatar para controlar o equipamento apenas com o cérebro.

Os pesquisadores divulgaram um vídeo que mostra o voluntário usando o dispositivo para caminhar, auxiliando-o a se equilibrar com ajuda de um cabo. Em seu dia-a-dia, fora do experimento, Thibault se desloca usando uma cadeira de rodas elétrica, que ele consegue comandar com um joystick, pois se punho esquerdo preservou parte da capacidade de movimentação.

O exoesqueleto demonstrado pelos pesquisadores, liderados por Alim-Louis Benabid, exigiu que o paciente passasse por dois anos de ajustes até que o sistema respondesse corretamente aos sinais cerebrais. Parte do treinamento do paciente consistia em fazer o voluntário controlar um boneco virtual, como de um videogame, usando apenas o pensamento.

Em comunicado de imprensa, os cientistas afirmam que consideram seus resultados promissores, mas alertam que podem estar ainda a anos de distância de uma aplicação clínica.

— Nossas descobertas podem nos levar um passo adiante em ajudar pacientes tetraplégicos a comandar computadores usando apenas sinais cerebrais — , afirma Stephan Chabardes, neurocirurgião que participou da pesquisa. — Talvez comecemos comandando cadeiras de rodas com atividade cerebral em vez de joysticks, depois progredindo para o desenvolvimento de exoesqueletos para maior mobilidade.

O experimento que fez um homem tetraplégico voltar a andar foi conduzido na Universidade de Grenoble, na França. Foto: HO / AFP

O dispositivo demonstrado em Grenoble é um conceito similar àquele que vinha sendo desenvolvido pelo brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, dos Estados Unidos. Nicolelis, porém, deixou de empregar eletrodos em seu protótipos para fazer seus voluntários controlarem o sistema usando eletroencefalografia (captação externa de sinais cerebrais, que não requer cirurgia mas é menos precisa). Benabid descreve suas placas de eletrodos como "semi-invasivas". Elas requerem cirurgia, mas não interferência profunda no cérebro.

Nicolelis chegou a fazer uma demonstração de um exoesqueleto comandado pelo cérebro na abertura da Copa do Mundo de 2014, na qual um voluntário moveu sua perna para dar um chute em uma bola, mas o protótipo usado ali nunca foi descrito em estudo científico. Em maio deste ano, Nicolelis apresentou resultados de uma pesquisa na qual usou seu sistema para ajudar dois paraplégicos andarem apoiados em andadores. O experimento, porém, não envolvia armaduras robóticas, e usou eletrodos para estimular os músculos dos próprios voluntários.

Apesar de existir em certa medida uma corrida tecnológica entre Nicolelis, Benabid e outros laboratórios que buscam restaurar movimentos de pacientes com paralisia, cada pesquisa tem atingido graus de sucesso diferentes, em diferentes perfis de paciente.

Maiores informações acesse:

https://oglobo.globo.com/sociedade/frances-tetraplegico-caminha-usando-armadura-robotica-em-experimento-23996996

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